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Mal-vi-mento

Julho 8, 2008
movimento

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Mal-vi-mento

I

            Mais morte num momento
                sabe a dor
                sabe a poema incompleto
            nunca morte num momento
                sempre depois   nunca
                sempre agora

            Suicídio lento é morte sempre agora
                                e sempre depois
                nunca talvez    certeza completa

            A vida é nossa única salvação!
                o barco   o rio
                o mar      o jorro
                sabe a vento?
                tem movimento é real
            Tudo está se movendo e quer isto.
            Sobe  Jorra  Flui  Cai  Derrama  Desce,
            e quer isto!  É real...

II

            Sabe a guerra? Queimamos túnicas encardidas, 
            feixes quixotescos de corpos não usam roupas;
            sabe que hoje em dia não morrem
            a tiros as vítimas das similitudes?

            Ousem humanos!
                Que fala alguém que perdeu o coração?
                E mesmo sem coração, vivemos?
                E não são nossos pensamentos
                óleos e azeites
                ardendo a realidade
            Preparem humanos!
                O último homem exultará?
                Sabe a História. (depende)
            Precisa perder o medo!
                Saber é pertencer à essência
                ao primordial sem mortificar
                nenhum preconceito inviável
                Perder o medo da vida!

            Deus-Dragão cinzento e cheio de tentáculos.
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Polemos - Domingo de guerra

Junho 22, 2008

                A criação extasia
                                 e sufoca.
                                          Prestigia
                o calafrio do vento frio,
                                frio de tarde
                                de primavera frio
                                23 graus frio?

                                Domingo
                tarde não tão fria por dentro
                que traz um calor miserável
                da Bósnia-Herzegovínea

                Aqui a criação extasia e sufoca.
                Lá a rotina mata
                                   e deixa viva
                                   a história
                                   da dor e da guerra.

                        O homem não nasce assim!
                        Nem lá nem aqui
                                apenas

                        não acredito que seja instinto.

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O Sonho

Junho 16, 2008

I

            Meia-noite meio-dia
                                   O dia do super-homem
            A noite da Lua cheia

                        O dia claro tombou
                        A noite faceira expirou
                                     é meia-noite
                                      é meio-dia

            Luzir não é um verbo humano
            e as luzes não são humanas?

                O meio-dia emudeceu os pássaros
                A meia-noite irá despertá-los
                                clara madrugada
                                nem é noite
                                e é tão fria!

            Tudo escorrendo em nossos dedos e nós
            detendo
                   o curso
                        do rio que é
                                             o homem.

II

            Vento, meu corpo também é vento
                e mar e movimento
                é chuva e frio
                montanhoso e sereno
                tropical e calorento

            Meu corpo também é vento
                        e nuvem
            Meu teto de céu encoberto
                        meu chão
                                e meu pedestal.

        O vento há de levar consigo o que sobrar de meu corpo.
            Há de o mar se encarregar
            de levá-lo
            para longe de mim mesmo
            Meu corpo vermífugo
                                    há de esquecer-me

            meio-dia    meia-noite
                                noite
                                noite

                                Num mundo assim tudo é noite
            não se vêem dias famintos
            e sem teto?

            Meio-dia
                          dia
                          dia

            A ilusão de amar,
                                A lentidão de sonhar,
            A arte de desejar,
                                A virtude mesquinha,
            O pueril estado da matéria humana.
      Não é possível plantar ilusões, parar o curso do rio, ser escravo;
                odiar a liberdade é odiar a vida.

III

                Finalmente:
                                o último meio-dia
                                a última meia-noite
                        os espaços não conhecem
                        mais
                        os homens

                De tantas represas para segurar o rio
                        todas estouram (BUM!)
                        o homem invade as matas
                        irriga as terras adjacentes
                        dá vida aos sais!

                O homem só espera que o sol
                cumpra bem o seu papel,
                que o vento fecunde a terra;
                Finalmente o rio acalma a cheia,
                                volta
                              ao curso anormal
                                de tédio.

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Roberto Piva - Antinous

Maio 29, 2008

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solto

Maio 22, 2008

como um louco, estabeleço o limite:
eis-nos pensando unos e batendo a
cabeça na parede; padecei com nenhuma
luz te guiar, só uma marca de tinta…

não sabes mais onde conter-se, não conhecia
limite algum, padecia de correções de tempo
em tempo, de vez em vez, quando não
podia segurar sua tão própria (l)rouquidão.

quero três balas de gengibre com cravo;
não prescindo passar bem por todas eras(h).
abandonar a batalha não me fará bem; vamos
em frente, ou por trás, se assim melhorar

a posição. que porra é isso? nem eu
saberia se me perguntassem. um esquilo
na paisagem pára o carro, um pássaro
cagão méla a festa, um homem vibra.

nenhuma dor passa despercebida, faz-se
notar, como num mapa; localiza-se e
mancha tua roupa, completamente, de sangue…

22.09.2007