Arquivo da categoria: Poesia

Roberto Piva – O século XXI me dará razão (se tudo não explodir antes)

Foto de Piva

Roberto Piva

O século XXI me dará razão, por abandonar na linguagem & na ação a civilização cristã oriental & ocidental com sua tecnologia de extermínio & ferro velho, seus computadores de controle, sua moral, seus poetas babosos, seu câncer que-ninguém-descobre-a-causa, seus foguetes nucleares caralhudos, sua explosão demográfica, seus legumes envenenados, seu sindicato policial do crime, seus ministros gangsters, seus gangsters ministros, seus partidos de esquerda fascistas, suas mulheres navios-escola, suas fardas vitoriosas, seus cassetes eletrônicos, sua gripe espanhola, sua ordem unida, sua epidemia suicida, seus literatos sedentários, seus leões-de-chácara da cultura, seus pró-Cuba, seus anti-Cuba, seus capachos do PC, seus bidês da direita, seus cérebros de água choca, suas mumunhas sempiternas, suas xícaras de chá, seus manuais de estética, sua aldeia global, seu rebanho-que-saca, suas gaiolas, seu jardinzinhos com vidro fumê, seus sonhos paralíticos de televisão, suas cocotas, seus rios cheio de latas de sardinha, suas preces, suas panquecas recheadas com desgosto, suas últimas esperanças, suas tripas, seu luar de agosto, seus chatos, suas cidades embalsamadas, sua tristeza, seus cretinos sorridentes, sua lepra, sua jaula, sua estricnina, seus mares de lama, seus mananciais de desespero.

1984

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Sujeito quase oculto

lagrima


        Tem olhos que parecem a humanidade.
        A humanidade terna e pacífica
        				nos olhos
        permeando uma realidade fria
        contra o calor da subjetividade...

        A sede
        dessa humanidade é
        como o calor do sol: 	viver!
        			morrer!
        			pertencer
        		à vida e à morte
        		cumpre um objetivo
        			educativo.

        A angústia
        dessa humanidade é
        irrequieta e será chamada vulcão!
        Os partos difíceis e mais dolorosos
        requerem máximos esforços que sucumbem
        em mutações.
        	       	Cumpre-nos.
        		Cumpramos.
        Ah! bendita liberdade ser homem, onívoro e divino!
        Oh! vem libertar o homem de si mesmo!
        	Que não estão mais sendo divinos...
        	Que são cada vez menos homens e
        	conservaram-se onivoramente incapacitados.

Radiohead – There there

Hilam A na Grama

in pitch dark i go walking in your landscape.
broken branches trip me as i speak.
just because you feel it doesnt mean it’s there.
just because you feel it doesnt mean it’s there.

there’s always a siren
singing you to shipwreck.
(don’t reach out, don’t reach out)
steer away from these rocks
we’d be a walking disaster.
(don’t reach out, don’t reach out)

just because you feel it doesn’t mean it’s there.
(there’s someone on your shoulder)
just because you feel it doesn’t mean it’s there.
(there’s someone on your shoulder)

there there

why so green and lonely?
heaven sent you to me.

we are accidents
waiting waiting to happen.

we are accidents
waiting waiting to happen.

Tradução:

Na completa escuridão vou andando em sua paisagem,
galhos quebrados me fazem viajar enquanto falo.
Só porque você sente não quer dizer que exista.
Só porque você sente não quer dizer…

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Augusto dos Anjos – Idealização da humanidade futura

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
— Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais!

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus do monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

Augusto dos Anjos

Coletânea – Poemas de Augusto dos Anjos (pdf)

Augusto dos Anjos – Agonia de um filósofo

Consulto o Phtah-Hotep. Leio o obsoleto
Rig-Veda. E, ante obras tais, me não consolo...
O Inconsciente me assombra e eu nele rolo
Com a eólica fúria do harmatã inquieto!

Assisto agora à morte de um inseto!...
Ah! todos os fenômenos do solo
Parecem realizar de pólo a pólo
O ideal de Anaximandro de Mileto!

No hierático areópago heterogêneo
Das idéias, percorro como um gênio
Desde a alma de Haeckel à alma cenobial!...

Rasgo dos mundos o velário espesso;
E em tudo, igual a Goethe, reconheço
O império da substância universal!

Augusto dos Anjos

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