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Octavio Paz – citação d’Os filhos de barro

Foto de Octavio Paz

Octavio Paz

Octavio Paz (em Os filhos do barro, Los hijos del limo)

Viver no agora é viver cara a cara com a morte. O homem inventou as eternidades e o futuro para escapar da morte, porém cada um desses inventos foi uma armadilha mortal. O agora nos reconcilia com nossa realidade: somos mortais. Só diante da morte nossa vida é realmente vida. No agora, nossa morte não está separada da nossa vida: são a mesma realidade, o mesmo fruto.

Sujeito quase oculto

lagrima


        Tem olhos que parecem a humanidade.
        A humanidade terna e pacífica
        				nos olhos
        permeando uma realidade fria
        contra o calor da subjetividade...

        A sede
        dessa humanidade é
        como o calor do sol: 	viver!
        			morrer!
        			pertencer
        		à vida e à morte
        		cumpre um objetivo
        			educativo.

        A angústia
        dessa humanidade é
        irrequieta e será chamada vulcão!
        Os partos difíceis e mais dolorosos
        requerem máximos esforços que sucumbem
        em mutações.
        	       	Cumpre-nos.
        		Cumpramos.
        Ah! bendita liberdade ser homem, onívoro e divino!
        Oh! vem libertar o homem de si mesmo!
        	Que não estão mais sendo divinos...
        	Que são cada vez menos homens e
        	conservaram-se onivoramente incapacitados.

Augusto dos Anjos – Idealização da humanidade futura

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
— Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais!

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus do monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!

Augusto dos Anjos

Coletânea – Poemas de Augusto dos Anjos (pdf)

Augusto dos Anjos – Agonia de um filósofo

Consulto o Phtah-Hotep. Leio o obsoleto
Rig-Veda. E, ante obras tais, me não consolo...
O Inconsciente me assombra e eu nele rolo
Com a eólica fúria do harmatã inquieto!

Assisto agora à morte de um inseto!...
Ah! todos os fenômenos do solo
Parecem realizar de pólo a pólo
O ideal de Anaximandro de Mileto!

No hierático areópago heterogêneo
Das idéias, percorro como um gênio
Desde a alma de Haeckel à alma cenobial!...

Rasgo dos mundos o velário espesso;
E em tudo, igual a Goethe, reconheço
O império da substância universal!

Augusto dos Anjos

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E várias outras preciosidades