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Livro x Computador ?

livro

 

            Responder à pergunta “O computador acabará com o livro?” requer um mínimo de espaço para um eloqüente “não”. Requer um pouco mais de tempo e precisão para certificar-se de que a resposta não é utópica ou precipitada. O registro através de livros só se tornou possível após a “imprensa de tipos móveis” de Guttenberg, por volta de 1450. Mas os homens sempre se preocuparam em registrar suas causas (feitos) e efeitos, pois assim fixa seu domínio no planeta.

            O cérebro, mesmo sendo brilhante, um dia se apagará. Era, e ainda é preciso transmitir as experiências, para garantir às próximas gerações que não precisarão começar do zero, tudo de novo, pois já contam com um terreno fixo, onde poderão pisar e construir seu futuro. É o que denomino cultura, essa possibilidade de transmissão, quase genética, de uma base de conhecimentos, suficiente para darmos uma boa pirueta no tempo e no espaço, implantando nossa cultura humana tridimensional.

            A cultura oral surgiu como primeiro baluarte da transmissão do conhecimento entre os homens. E o homem sempre dispôs de todos os meios possíveis e imagináveis para registrar sua cultura, e a oralidade parecendo pouca e casual, foi sendo incrementada pela simbologia; primeiro desenha, depois codifica, facilita o pensamento através do som, da imagem e da educação. A linguagem é algo esplendoroso na raça, e a linguagem escrita é algo que os franceses denominam terrific.

            Agora imaginem um futuro bem próximo, e infelizmente possível, onde não há mais livros, a não ser textos em telas de computadores e outras máquinas.  É um caminho cada vez mais seguido, escolhido até, por editores e escritores. Um caminho normal, uma tendência do nosso ‘mercado’. Até com a boa desculpa de pouparmos recursos cada vez mais escassos, como as árvores. Muitos produtos poderão ser inventados e comercializados e aumentará a demanda e a produção. Há muito a arte e a cultura passaram a ser caras mercadorias…

            O mesmo controle moderno, conservador do poder e no poder, continuará sendo executado, pois alguns sempre escolhem o que todos vão ler. Por quê banir os livros e outras formas de registro da cultura humana poderia ser tão danoso? A pergunta mais rápida que consigo bolar como resposta é: e se não houver mais energia elétrica, como buscaremos o conhecimento necessário? Claro que não poderemos nunca banir os registros fora do computador. Nenhuma dessas máquinas é tão segura e não podemos colocar, ainda, nosso futuro e de nossa descendência, nos frágeis transistores destas máquinas. Haverão, certamente, lugares especializados em manter nosso registros, a não ser que não se queira mesmo é garantir o nosso futuro…

            A pior coisa que pode acontecer hoje em dia, a um estudante, professor ou profissional, é ficar sem acesso às informações que necessita para desenvolver seu trabalho. Há vários exemplos na história, sobre como alguns loucos destruíram bastante fontes de informação, queimaram bibliotecas, e faziam fogueiras nas ruas, com livros e escritores. Hoje não se concebe mais este tipo de mediocridade, mas não podemos negar que é uma ‘atitude’ constantemente tomada, mesmo que velada, pela possibilidade de respondermos ‘sim’ à questão principal deste texto e querermos deixar tudo nas máquinas e nas mãos de quem as controlará, certamente.

            Outra coisa que não podemos esquecer é que arquivos de computador podem ser apagados, modificados ou escondidos, dependendo de quem está administrando essa rede de conhecimento, quem tem o controle. E é o controle perfeito, que tanto se esperava, tornando-se cada vez mais possível, acessível ao dirigente. Padronização mental, dirigida por alguns administradores do sistema, dirigidos por alguns poderosos políticos, dirigidos por alguns poderosos ‘mercadores’. Parece bem plausível e humano, além de muito moderno.

            Não temos acesso a esta informação, precisamente. Quem? já hoje nos controla, estabelecendo caminhos educacionais e privilegiando uma sub-espécie corrente de pensamento? Que tipo de pensamento temos, decorrente de nossa educação de há 50 ou 100 anos? Mas a escrita e os livros, e também hoje a Internet, e outras formas utilizando o computador, permitem a existência e a convivência do pensamento divergente, primordial para não deixar morrer o espírito humano do homem.

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