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Paulo Leminski – sem título

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha

Paulo Leminski – Kai

Mínimo templo

para um deus pequeno,

aqui vos guarda,

em vez da dor que peno,

meu extremo anjo de vanguarda.

 

De que máscara

se gaba sua lástima,

de que vaga

se vangloria sua história,

saiba quem saiba.

 

A mim me basta

a sombra que se deixa,

o corpo que se afasta.

Paulo Leminski – Hai

Eis que nasce completo

e, ao morrer, morre germe,

o desejo, analfabeto,

de saber como reger-me,

ah, saber como me ajeito

para que eu seja quem fui,

eis o que nasce perfeito

e, ao crescer, diminui.