Seis poemas à procura de um autor

Seis poemas à procura de um autor
Hilam A na Grama

para quê

para quê

I

para quê? para quem? para quando? para
começar, não emendo o pré-estabelecido,
não rodeio quando é pra desmascarar
qualquer estapafúrdia enganação. vejam
a tv, o cinema industrial, a publicidade;
como suportar tanta agressão sem pirar?

afaste-se do que o enoja. ninguém é
obrigado a suportar engulhos e reviradas.
o amor está longe de ser algo fácil
de alcançar, muito menos de conservar.
terrificante esperar pela próxima novi-
dade no desespero sem fim do querer

e do sonho que não se alcança, o sofri-
mento de epicuro, não querer o que não
for quase certo, sob o que tem controle,
controlar o sofrimento, a dor, que a vida
já dói bastante, deixa marcas indeléveis,
marcas superficiais, marcas profundas,
manchas mundanas na couraça.

lagrima

II

o esquecimento e a esperança diminuem
a dor; mas não ajudam a superar, a menos
que apareça o choque, um despertar não
menos doloroso, mas que com pouco ci-
catriza as feridas maiores, aquelas com
contornos amarelos subjugadas pelo inchaço.

nunca se tem muita segurança sobre
o que falar, como ajudar uma alma,
mesmo que penada, ou empenada; querer
é o princípio da dor, está mais que provado.
mas como dizer isso para quem não tem
nada, e o que deseja é propagado como

básico, essencial, imortal, vindouro,
vida eterna todo sempre amén;
nada de perder para ganhar, ou
revirar de vez para organizar tudo…

dsc_9216

III

O inferno na torre

o desespero material nunca nos tornará
menos frágeis; eu havia marcado uma
série de frases, mas perco todas no
momento, o que recuperar é porque
está tão pegado na pele que já se
tornou vocabulário, e arma de co-
municação, abrangente como tor-
tura, mas não tão forte, apela para
algo etéreo, um ser ideal que se
acredita possível; uma vez girando
nesta roda, sem o controle, por quê
partir para o desespero, gritar, choro
e ranger de dentes? quanta carnificina
real será necessária para alertarmos
o fundo do coração que ele está
enxergando com olhos embaçados?

22/05/09

Alaska_Glacier_2006

IV

O louco no carro

onde iremos chegar? onde iremos parar?
para onde nos levarão nossos passos, tão
certeiros, tão guiados nos fatos, que até
nos prendem em correntes, visíveis torturas,
que vão subjugar nossa vontade, parece que
para todo sempre, num poço sem fundo.

por quê chegar ao ponto de construir uma
realidade caótica, tão falsa que desmorona
com qualquer vento lateral, uma pluma
de verdade imaginada, contagiando? a
chuva chama a lágrima, chovendo de
dentro pra fora, molhando o corpo com
o óleo benfazejo do espírito derramado.

até onde iremos insistir na falsidade,
até quando construiremos em barrancos
de areia mole, que cede a qualquer
temporal? quem não suporta mudar
não deve deixar rastro, ou sempre
será achado, visado no aeroplano,
requerido para organizar o que
sobra…

lilith

V

Espelho meu

precisamos ter algo para idolatrar: seja
um arco-íris, ou um reflexo numa porta
de vidro; ou ainda, alguém que você não
controla, não consegue abster-se de olhar.

o desejo nasce do olhar e do não-olhar.
o arquiteto da vontade é o que vemos e
ainda o que não vemos, mas imaginamos.
é escravidão do instinto ou evolução da espécie?

as máscaras escondem nossa bondade, mas
também nossa desintegração; uma inexistência
que leva à outra. um paradigma absorvendo
as realidades palpáveis, esquinas de mortos.

a vida que pulsa pode parar, depende do
movimento, não pode viver sem doar-se;
quer isto, procura isto, doar o calor,
o bater rápido do coração, a lágrima…

04/06/09

MINERVA

VI

quantas pontes teremos que atravessar?
porquê esperar é sempre a melhor resposta?
teremos o que quisermos, mesmo que
seja delirando nossos pensamentos…

a dor irreal está presente em toda
fantasia; a concretude da idéia que
também se torna presente (presença),
como uma ficha, numa mesa de jogo mortal.

e as surpresas (presentes) que nos tomam?
visão e desejo irreal tornam-se realidade,
mesmo de longe, o ato aproxima, nada é fácil;
papas de plumas em face estupefacta…

quadras reais, semiótica presente, deuses
mortos pelos cantos, crises sem número,
plataformas se chocando, tudo ruindo,
como se o real virasse idéia mirabolante.

10/06/09

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Sobre hilam

Ainda em processo de construção humana, mesmo com mais de 40 anos de idade...

Publicado em 28/02/2010, em Poesia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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