Experienza

led-zeppelin

Primeira hora, zepelim de chumbo

ao longo do vigésimo sétimo minuto
vejo um sorriso feminino e hindu
enquanto escuto a melhor música do
mundo todo, zepelim de chumbo, o zep

me condena ao tributo, ao culto; quase
nada me ocupa, nem vê-los, é certo, mas
quando me surpreendem numa tarde qualquer,
é como se eu vivesse cada minuto naquele ritmo.

é como se eu ouvisse essa música o tempo todo!
e não é ainda o meu inferno, longe disso.
é quase de minha própria natur(al)eza;
jokerman, dançarino da noite, escadas.

ir e voltar, saltar, gemer e sorrir, cruzar
por sob(re) águas, diversas cores, longas
profundidades, nenhum receio de se perder,
em alguma ventania, fazer de conta que as

coisas acontecem, simplesmente acontecem,
com se acontecer fosse diferente de viver
ou respirar, devia ser prosa? será que
conteria a mensagem mesmo assim? será que eu poderia viver?

que tesouros temos e não reconhecemos,
o que significa sonhar? porque navegar
cada vez mais longe? a resposta está no
vento que bate no rosto, se estiver exposto.

a pergunta também é o vento que bate,
não é o copo de bebida, não é o fumo,
não é você sozinho, escrevendo pra quê?
no fundo de tudo está esta música…

vida elétrica, dependente de energia,
seja ela de origem qual, emocional,
solar, eólica? e onde entra o vento?
vida que se apaga à extinção da luz.

que sejas o meu deus Maior, energia
que me moves; criatura meramente
desastrosa, quebrada em cantos, em
cacos de matéria podre, vida que

surge da própria extinção, que vício
será esse, cruzar as montanhas a cavalo,
respirar uma breve chuva, meu deus, rompe
meus pulmões de tamanha esperança, ilusão

plena de pulmões; quando devo começar
a gritar? onde dói mais? o pescoço rijo,
a mão que treme, a postura líquida,
o mijo fedendo muito pelas manhãs…

decidi celebrar a vida porque da morte
não há sabedoria alguma. preciso rever
o que há para resistir à tentação de,
simples assim, minimizar a nossa dor.

07/07/09

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Sobre hilam

Ainda em processo de construção humana, mesmo com mais de 40 anos de idade...

Publicado em 04/08/2009, em Poesia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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