o desaparecimento do gato

    primeiro eu o vi
    num canto da estrada
            morto
    com os olhos vazados
            em sangue:
    e vomitei a idéia da morte.

    na manhã seguinte eu o vi
    no mesmo lugar ermo
            morto e
            apodrecendo
    sua pele substituída
    aos vermes pululantes:
    e vomitei o cheiro da morte.

    viajei e dois dias depois o vi.
    quero dizer, soube-o o
        des-aparecimento.
    só restava uma mancha no solo,
    uma porção de gases, uma fumaça.
    algum pó dos ossos desfeitos:
    e me alimentei com o destino da morte.

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Sobre hilam

Ainda em processo de construção humana, mesmo com mais de 40 anos de idade...

Publicado em 19/10/2008, em Poesia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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