Cantata para Vânia


I


Eu não sinto culpa por estar aqui
(feliz). Não importam nuvens ou vento:
coma a tâmara na medida do caroço.
Não queira ultrapassar a palma no salto.
A eficiência só se mede no resultado.

O resultado não poderá ser embate:
a paz reinará em todas as histórias
que porventura eu venha cantarolar.

Numa câmara perfumada tanto faz o
âmbar, se cheiro ou cor faz sentido
a mensagem parcimoniosa da cara:

ex-cara-velho, repetia sempre o mesmo
riff; a nova circunstância promove os
préstimos da arte final do mudo muro.

Como uma máscara sem caráter definido,
vagueio amando Vanianov que vestia
calça marrom e blusa branca de lindos seios...

II

Toda mente universal, Vânia, nova
radiação representará na vaga
mas não prerrogativa respiração:
nada nos fará calar do próprio calor,
nada riscará o eterno destino no grito.

Tramóias estapafúrdias fulguram o olhar
descuidado do eterno zeloso, senhor,
não farás culto de acordo com Necessidade?

Pinturas cuidarão de plasmar histórias
metalúrgicas em sentidos completamente
expostos, queimando a mais de cento e
oitenta 'hectares', se não me entendo...

Clama a arte primária a chama tragada
no clarão da lua esclarecedora do raio:

milhares de vitórias trarão claridade a
nossa divina clarividência: é Luz toda
distância, que faz-se acessível ao
Raio que circunda a nuvem informe.
(Dizem que a esfera é a forma
		mais-que-perfeita)!

III


Vive o som que sempi-terniza
as suaves posses hipnóticas. Portas
nos olhos correspondem aos caminhos
infinitos que traçaram-me ao vir
ao convívio como convidado especial.
Não precisava trocar de roupa; ainda
ontem lembrava de você e da roupa,
voyeur de listras vermelhas e saias
		pretas...

Sem a tua lembrança não acontece a noite.
Corro como um louco atrás do farol
(ou lanterna) que te mostrará: seios
à mostra dos lábios ob-sequiosos.

Desertos resplandecem na lembrança
da água que trarás no beijo: tua
língua molhando a minha saliva:
não quero nem-só imaginar. Sinto.

Sinto que a realidade é tão fugaz,
passa tão espontânea, curva o peito
por sobre o tórax queimado de sol,
deixa marca antes e depois, ta-tua.
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Sobre hilam

Ainda em processo de construção humana, mesmo com mais de 40 anos de idade...

Publicado em 28/08/2008, em Poesia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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