O Sonho

I

            Meia-noite meio-dia
                                   O dia do super-homem
            A noite da Lua cheia

                        O dia claro tombou
                        A noite faceira expirou
                                     é meia-noite
                                      é meio-dia

            Luzir não é um verbo humano
            e as luzes não são humanas?

                O meio-dia emudeceu os pássaros
                A meia-noite irá despertá-los
                                clara madrugada
                                nem é noite
                                e é tão fria!

            Tudo escorrendo em nossos dedos e nós
            detendo
                   o curso
                        do rio que é
                                             o homem.

II

            Vento, meu corpo também é vento
                e mar e movimento
                é chuva e frio
                montanhoso e sereno
                tropical e calorento

            Meu corpo também é vento
                        e nuvem
            Meu teto de céu encoberto
                        meu chão
                                e meu pedestal.

        O vento há de levar consigo o que sobrar de meu corpo.
            Há de o mar se encarregar
            de levá-lo
            para longe de mim mesmo
            Meu corpo vermífugo
                                    há de esquecer-me

            meio-dia    meia-noite
                                noite
                                noite

                                Num mundo assim tudo é noite
            não se vêem dias famintos
            e sem teto?

            Meio-dia
                          dia
                          dia

            A ilusão de amar,
                                A lentidão de sonhar,
            A arte de desejar,
                                A virtude mesquinha,
            O pueril estado da matéria humana.
      Não é possível plantar ilusões, parar o curso do rio, ser escravo;
                odiar a liberdade é odiar a vida.

III

                Finalmente:
                                o último meio-dia
                                a última meia-noite
                        os espaços não conhecem
                        mais
                        os homens

                De tantas represas para segurar o rio
                        todas estouram (BUM!)
                        o homem invade as matas
                        irriga as terras adjacentes
                        dá vida aos sais!

                O homem só espera que o sol
                cumpra bem o seu papel,
                que o vento fecunde a terra;
                Finalmente o rio acalma a cheia,
                                volta
                              ao curso anormal
                                de tédio.

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Sobre hilam

Ainda em processo de construção humana, mesmo com mais de 40 anos de idade...

Publicado em 16/06/2008, em Poesia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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