Exercício

Limiar, de Edouard Fraipont

NÃO falo mais. Ou pouco. Parece
ato depressivo, caro,
claro, custo sem benefício…
Situação-limite, limite visto
externo àquilo, cúmulo-cônscio;
resta pensar, querer, fazer.

Escrevo. Não posso calar,
ser não-conforme à eminente
tentativa, completar a finitude,
ânsia louca do divagar CEGO,
reinação e danação que não quer ver.

CRIVO meus dedos na carne,
reflexo circunstancial do
incondicionado desejo de ver
as velhas correntes enferrujarem,
ruírem os espelhos possíveis…

Minto a mim mesmo? Dêem-me
ainda tempo e espaço e ébrio
narrarei as terras longínquas,
tecerei comentários sobre vizinhos,
enaltecer o movimento e a forma
RIJA dos membros humanos.

‘Morto’. Não é algo aplicável; jamais
ouvirei de alguém este adjetivo.
Resta saber que falarão alguma vez.
Raciocinem que se se quiser matar-me,
eis a necessidade de pronunciar
relutantemente A FRASE, para ser…

Tenho medo do costume que te veste.
DESpe meu olhar inocente e
puramente contemplativo: se quis-
eres nuvem de dúbia interjeição!

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Sobre hilam

Ainda em processo de construção humana, mesmo com mais de 40 anos de idade...

Publicado em 18/09/2006, em Poesia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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