Cotidiana Mente
Estou num redemoinho: pequenos insetos, folhas caindo, desconhecidos passando ao lado; raios me partam ou me levem, preciso de arrebatamento, instantâneo, para longe. Longe no tempo e no espaço, vou recuperar minha vontade de viver, minha malandragem, minha estima; se continuar aqui, mais à frente serei só um moribundo eficaz: trabalhar 8 horas, levar o pão pra casa, jantar a comida e a mulher, desejar voar sem ter imaginação suficiente, acordar cedo e me despedir para o trabalho. Que vida besta! tão comum, tão previsível. Que escolha eu fiz? Parece que nunca li o manifesto surrealista, que não aprendi nada com Nietzsche e Morrison. Parece pior estar assim, com tantos dilemas interessantes e sem ação. O que poderá me salvar dessa roda infinita e insalubre? Somente a poesia.
Publicado em 07/07/2011, em Poesia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.



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