Cotidiana Mente


Estou num redemoinho: pequenos insetos,
folhas caindo, desconhecidos passando ao lado;
raios me partam ou me levem, preciso de
arrebatamento, instantâneo, para longe.

                                 Longe no tempo e no espaço, vou recuperar
                                 minha vontade de viver, minha malandragem,
                                 minha estima; se continuar aqui, mais à 
                                 frente serei só um moribundo eficaz:

trabalhar 8 horas, levar o pão pra casa,
jantar a comida e a mulher, desejar
voar sem ter imaginação suficiente,
acordar cedo e me despedir para o trabalho.

                                 Que vida besta! tão comum, tão previsível.
                                 Que escolha eu fiz? Parece que nunca
                                 li o manifesto surrealista, que não
                                 aprendi nada com Nietzsche e Morrison.

Parece pior estar assim, com tantos
dilemas interessantes e sem ação.
O que poderá me salvar dessa roda
infinita e insalubre? Somente a poesia.

Sobre hilam

Ainda em processo de construção humana, mesmo com mais de 30 anos de idade...

Publicado em 07/07/2011, em Poesia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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