Que anjo?
Deus me fez anjo de poucas asas, mas certeiras.
O que escondem as águas que submergem os corpos?
As cidades, à noite, escondem águas submersas
nas sombras dos olhos que enxergam a noite
como uma deusa de fino e leve toque…
àspero e fugaz. Ligeiro ao toque, gritando como
possesso: pancadas na porta! Capturando silencio-
samente as vibrações sonoras sonâmbulas abrem
olhos incrivelmente fugazes, escondendo-se nas
sombras, nos movimentos rápidos desses olhos…
E esconder é apenas uma parte da fugacidade:
ferocidade sonora para compensar a pouca
rebeldia. Ecos alterados pelas formas
que já vem prontas, fôrmas, armazenar
a informação, dispersar pelos filtros di-
versos.
E uma vez dis-perso não asseguro mais nada.
Voo baixo, não há porque respirar o gás.
Antes que desfaça, agonizando junto do corpo,
revelar toda tenacidade possível, veloz e
certeiro como o falcão que aprende a voar…
12.3.2000
