cansaço
dia duro, começa você tendo que se dirigir
à platéia, buscando assuntos corriqueiros,
atrair sorrisos, benesses psicológicas, ou-
tras peripécias desenfreadas de simpatia.
o ser humano é melhor aos poucos. um de
cada vez, por favor. ao final de tudo, ao
cair da tarde, o que me resta é a dor:
no pescoço, nas costas, na alma (se for).
o diabo já está aqui, neste verdadeiro
inferno de necessidades mal satisfeitas.
o cenário que nos rodeia sequer esconde
as labaredas de fogo que nos devoram…
o céu será possível? a que profundezas
chegaremos? sempre escravos, de donos
invisíveis… subjugados pelas idéias, mor-
cegos pelo discurso do invisível eterno.
quanto dura uma idéia inaceitável? o que
fazer, a quem recorrer?, se estamos
todos presos no mesmo círculo flutuante,
dividindo a escravidão sem enxergar cadeias?
03.08.2007

