Para a amada III
Não sei como dizer, quando, inteiramente
entregue ao teu prazer, sinto-me absorvido,
rainha dos meus olhos, princesa dos meus braços,
senhora do meu pensamento, de perto e de longe.
Minha pele carece do contato com tua pele,
do seio aos dedos, do ventre ao sexo; quero
te dizer sempre todas essas coisas, e outras,
mas emudeço diante de ti, minha mulher, e
somente longe tenho condição de confessar
tudo o que sinto e não consigo expressar.
Quem sabe esse exercício servirá para
me abrir completamente contigo e te
presentear com um discurso que faça justiça
à tua divindade, à tua leveza, e ao amor que
não adormece no meu peito, me sacode mais,
me joga como um raio para junto de ti.
Patos/PB, 28/02/2008
