
o amor me parece sempre (como um)
uma invenção (ou descoberta?) da mulher.
descortinamos vastos teoremas,
a ciência nos dá um sabor
de verdade atual;
mas a mulher pensa a vida
como o amor (que ela descobriu).
nos intervalos entre evoluções
vemos homens e mulheres
rogarem a algum deus
pela virtude paciente.
¿ queiramos ser escravos ?
o ódio à liberdade é coisa
de humanos - cabras ou vacas,
até os bois às vezes,
preferem não estar sozinhos.
e o medo à solidão é ao mesmo
tempo o medo ao que há inato
que é liberdade.
por favor, não confunda
liberdade com libertinagem.
o outro me pareceu mais seguro;
disseram um alarme não-cuidadoso
às vésperas de um dia 25.
é expressionismo vulgar, perpetrar
uma fuga planejada, embaixo
deste lençol vermelho, azul.
não há quem fuja da paixão,
e o homem só-apaixonado não
sabe o que dizer.
não há quem não pregue a paz
e faça uma guerra hodierna,
contra ti mesmo, fazes
tiroteio e morte
à queima-roupa.
amordaça-me, então, para não
falar da morte e não
viver a vida devagar como
o tempo
que é vento, rápido,
préstimo, enclausurado
numa imensa montanha de liberdade.
¿ não há mais o que murmurar ?
¿ ainda ouvirão as pétalas, caindo
no desespero de 40°C ?
não há porque desejar o possível,
o círculo é um traçado,
pis à frente do
humilde triângulo.

¿ por quê pensar matematicamente ?
é convenção. decimal,
minhas sensações são dez corpos,
numerados numa seqüência ilógica.
¿ serei prepotente ?
¿ ou me rebelo ante
a rebanha-multidão ?
um abraço não significa ilusão,
um abraço apertado é antes
desejo de posse e desejo
de cárcere privado. nunca
nos contentaremos com o
mínimo do pouco (mais ou menos)
da vida-flerte que...
¿ vivemos ?
¿ há um objetivo qualquer na
mente pensante - eu agora ?
temos um longo cativeiro
espiritual, que o corpo pede,
suplica a presença imaterial,
e o orgulho do nada
rejeita uma sã virtude.
eia! ¿ como chegaremos ?
(se tivermos de chegar a
algum lugar, algo ou fim,
morramos absortos agora mesmo
pois existir não é de todo
fácil ou confortador.)
¿ nunca olhamos o céu às 5 AM ?
somos (sou) noturnos, obscuros,
olfativos, até, se bem que
uma ilusão ou sonho interrompido
é muito prejudicial à semente,
coronárea, sebácea, ¿ queiramos
exalar o cheiro do espírito ?
boquiaberte-se, ingênuo cego
(talvez devesse dizer que ele
não sente cheiro algum,
tem um ouvido debilitado).
dificilmente escutamos ou
prestamos atenção ao meio
que rodeia o momento mágico.
por isso, precisamos pegar e
ouvir do outro o amor e
a amizade sempiterna;
(que é bastante impossível)
crermos no que tocamos é
usual, ¿ mas saber que o
que pensamos se determina ?
não minta num dia nublado, se
você tem medo de raios e
castigos incongruentes;
saiba um pouco da tua solidão,
queira um pouco teu maior mal,
e tua grande virtude estenderá
as garras
à celebração do teu único
invisível.
quanto mais a gente muda
mais a gente fica igual.
igual ao que era estranho
e diferente do mesmo
da mesma cor
o mesmo som
¿ o outro mundo ?
¿ não há que estar sozinho, a
guiar uma matilha
de lobos ferozes ?
¿ há de vir algo do sol e do céu
senão o que os antigos contam ?
desabalada corrida, impetuoso
astro cosmológico, desordena-te
para não matares a todos de
frio e fome...
sê-de anarquista do fundo de
tuas lavas e geleiras!
¿ vais ao encontro de um ?
um não te quer, a não ser
que sejas múltiplo,
no mínimo dois.

Nossah q Delicia, qro botar a miinha boka nessa buceta.. ¬¬